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Adalberto Monteiro: a reorganização é um marco para o PCdoB



Há exatos 51 anos, foi realizada a Conferência extraordinária de 18 de fevereiro de 1962, que reorganizou o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), com vistas a superar o liquidacionismo da corrente revisionista e o colocar o Partido no centro da corrente principal da política brasileira.

Joanne Mota, da Rádio Vermelho em São Paulo


Em participação no programa "Partido Vivo", Adalberto Monteiro, secretário Nacional de Formação do PCdoB, falou sobre o assunto e destacou que "esta data marca não só a reorganização do Partido, que estava sendo ameaçado em sua existência por um surto revisionista que ocupou espaço na esfera política mundial, mas também a confirmação dos ideais revolucionários defendidos desde 1922 pelo PCdoB".

Segundo ele, naquele momento "setores do Partido relativizavam os pressupostos do marxismo-leninismo, postura que colocou a revolução a reboque de setores da burguesia brasileira, influenciada pela conjuntura brasileira. Além disso, é preciso resgatar a influência que o 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), realizado em fevereiro de 1956, teve nesta história. Baseado em um relatório apresentado por Nikita Krushev, o congresso gerou posturas revisionistas, que influenciaram profundamente o Partido e propagaram uma divisão de opiniões".

Adalberto, que também é presidente da Fundação Maurício Grabois, lembrou que as posições apresentadas no 20º Congresso chegaram ao Brasil e tiveram em figuras como Luiz Carlos Prestes forte apoio, o que gerou divisão no Partido e a exclusão do Comitê Central de figuras como João Amazonas, Maurício Grabois, Ângelo Arroyo, entre outros. Logo após, os estatutos foram alterados e o nome do partido passou a ser Partido Comunista Brasileiro (com a sigla PCB), caracterizando a formação de uma nova organização partidária.

Ele explicou que, “com o apoio de Luiz Carlos Prestes, as decisões tomadas no 20º Congresso foram fundamentais para consolidar este posicionamento naquela época. Mas um núcleo, composto João Amazonas, Maurício Grabois, Ângelo Arroyo, entre outros, não concordava com estas decisões. Essa divisão consolidou duas tendências no interior do Partido: uma reformista e outra revolucionária”, rememorou.

Carta do 100

Adalberto lembrou que essa cisão gerou como resposta da corrente revolucionária o envio de uma carta ao Comitê Central, que ficou conhecida como Carta do Cem.



“Este documento foi assinado por cem comunistas, criticando os desvios e exigindo que se retirassem os documentos e se convocasse um novo congresso para discutir a mudanças empreendidas. Como resposta, a direção do novo partido expulsou, no final de 1961, João Amazonas, Maurício Grabois, Ângelo Arroyo, Carlos Danielli, Calil Chade, José Maria Cavalcante e outros signatários da Carta dos Cem”, pontuou o dirigente.

Outro fator apontado por Adalberto foi a deflagração do golpe de 1964. "O golpe militar de 1964 representou uma derrota das teses advogadas, então pelo PCB, que viu cair por terra todas as suas teses. A partir daí o PCB entra em um processo de crise e de desagregação e o PCdoB reafirma seu caráter revolucionário para os comunistas", externou.

Foto: Centro de Documentação e Memória


A Conferência

Com isso os revolucionários convocaram, em 18 de fevereiro de 1962, uma Conferência extraordinária que reorganizou o Partido e elegeu um novo Comitê Central. Participaram desta Conferência delegados de vários estados, entre eles estavam dirigentes históricos do Partido como João Amazonas, Maurício Grabois, Pedro Pomar, Kalil Chade, Lincoln Oest, Carlos Danielli, Ângelo Arroyo, Elza Monnerat, entre outros.

De acordo com o historiador e comunista Augusto Buonicore, no artigo "A Conferência de fevereiro de 1962 e a reorganização do PC do Brasil", de 8 de fevereiro de 2004, a Conferência aprovou também um Manifesto-Programa, que apontava os principais responsáveis pela miséria do povo: ''a espoliação do Brasil pelo imperialismo, em particular o norte-americano, o monopólio da terra e a crescente concentração de riquezas nas mãos de uma minoria de grandes capitalistas". Por isto, o Partido Comunista do Brasil, que "se orienta pelo marxismo-leninismo e que objetiva o socialismo e o comunismo, considera que, na presente situação, a principal tarefa do povo brasileiro é a luta por um governo revolucionário, inimigo irreconciliável do imperialismo e do latifúndio, promotor de liberdades, cultura e bem-estar para as massas".

"O evento aparentemente modesto revestiu-se de uma grande importância histórica para a esquerda brasileira. Poucos ainda tinham consciência da importância daquele 'ato fundador'. Mas, aquela Conferência só confirmou a base revolucionária que norteou o PCdoB desde sua origem em 1922", finalizou Adalberto Monteiro.

Ouça a entrevista na íntegra:

Programa Partido Vivo
 

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