Potengi, verás que um filho teu não foge à luta!

Do espertar do gigante a eleição mais reacionária do Congresso


 
Pedro Luiz Teixeira de Camargo (Peixe) *

Em junho de 2013, muitos de nós ocupamos as ruas do país inteiro em busca de uma maior radicalização da democracia; era comum se ver cartazes com frases como “Este Congresso não me representa”, “Mais Saúde” ou “Reforma Política Já”.


Como consequência das pressões das ruas, a presidenta Dilma apresentou propostas ao Congresso de maneira a responder a sede das ruas. A tentativa de um Plebiscito pela Reforma Política (barrado) e o Programa Mais Médicos foram reflexo direto disso.

Entretanto, a terceira das principais demandas políticas defendidas até então por estes manifestantes aconteceu no último domingo, às eleições. O que era de se esperar por pessoas que ocuparam as principais cidades do Brasil seriam escolhas de parlamentares e governantes que dialogassem com aquelas vozes das ruas, com os milhares e milhares de pessoas que foram, na prática, exigir mais direitos. Direitos estes que foram renegados ao longo de mais de 500 anos e que só com a entrada dos governos petistas, conseguiu formar uma nova classe média.

O mais surpreendente, é que esta nova classe média, sedenta de novos direitos, buscou (e busca) uma inclusão que nunca teve, saindo das classes E e D e indo para a classe C, algo inimaginável a 20 anos atrás.

Entretanto, muitos dos que já estavam na classe média clássica, ao ver a inclusão dos mais pobres por políticas governamentais de incentivo ao consumo e, por consequência sua ascensão à mesma classe média, começou a reproduzir os discursos de ódio e xenofobia propagado pela mídia marrom contra estes novos “colegas” de classe.

O resultado deste ódio descabido com ao mais pobres, negros, mulheres e nordestinos veio desembocar em uma eleição polarizada pela luta de classes entre os eleitores de Dilma e Aécio-Marina; assim como também nas eleições parlamentares, o que causou grande surpresa para os setores mais progressistas da sociedade.

O PT, maior partido de esquerda da América Latina, teve sua bancada reduzida de 86 para 70 deputados, o PMDB, maior partido do país e principal aliado do PT no legislativo, também experimentou uma queda de 78 para 66 parlamentares, o PDT de 27 foi para 19 deputados e o PC do B perdeu 5 de suas 15 cadeiras, elegendo apenas 10 deputados federais. Figuras importantes da esquerda como Inácio Arruda e Assis Melo, por exemplo, não foram reeleitos.

O campo conservador, no entanto, teve situação adversa. O PSDB permaneceu com 54 deputados eleitos, como em 2010 e legendas de aluguel, que antes nem tinham representação na Câmara elegeram mais de 20 deputados. Cabe destacar, que dentro do campo conservador, a eleição de figuras famosas da direita, muitos destes fascistas merece destaque, como Bolsonaro Pai e Filho; Pastor Marcos Feliciano; Coronel Telhada da Rota, Paulo Maluf (impugnado, mas brigando na justiça) e Celso Russomano, o mais votado do Brasil com 1,5 milhão de votos; além de filhos e netos de ex-parlamentares consagrados, como Clarissa Garotinho (Filha de Garotinho); Paulo Abi Ackel (Filho de Ibrahim Abi Ackel) e Bruno Covas (neto de Mário Covas).

É inegável que a estratégia da mídia de sangrar o governo durante toda a gestão Dilma agora começa a dar resultados, inclusive com muitos dos rebeldes sem causa que foram para as ruas sem saber por que e agora votam em filhos e netos dos golpistas do regime militar!
Não podemos negar também que o PT tem culpa nessa ofensiva de direita, pois não fez a Reforma da Mídia quando necessário e relaxou nos embates ideológicos mais pesados, como ter deixado Feliciano presidir a Comissão de Direitos Humanos.

Lutar pela reeleição de Dilma é dever de todos os democratas, assim como pressionar o novo Congresso para que não retroaja em pautas importantes como a flexibilização das leis trabalhistas e que vote de fato de fato a criminalização da homofobia.

Apesar de torcer pela vitória do campo popular, desde já é preciso saber que o novo governo que se constrói será muito mais complexo que o atual. Se a presidenta já era refém do Congresso, agora tende a ser ainda mais, freando as tão importantes reformas política, urbana, agrária e tributária.

Como se diz na minha terra, deputado é como feijão, só funciona sob pressão. Pressionar para não retroceder! Avante!


















* Biólogo, Especialista em Gestão Ambiental, Mestrando em Sustentabilidade pela UFOP/MG e Diretor de Universidades Públicas da ANPG

Fonte: Vermelho

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