Potengi, verás que um filho teu não foge à luta!

Impeachment da Dilma: Uma Encruzilhada Para a Esquerda





Pensei muito antes de emitir opinião sobre este assunto. Ao meu entender esta “briga” pouco ou nada tem a ver conosco. Este jogo de “queda de braços” muito mais tem a ver com a disputa palaciana do pequeno poder, do que com uma discussão séria de projeto para o país, ou menos ainda, com os problemas que todos nós, trabalhadores e trabalhadoras, enfrentamos cotidianamente. O problema é que a vida não é fácil. Várias vezes temos, nós, que tomar lado, ter posição. Isso inclusive é um exercício que todos nós deveríamos, constantemente, fazer. O empoderamento do povo na política é fundamental para se alcançar os avanços. Neste cenário, onde o horizonte é turvo, onde as perspectivas são limitadas, onde as fronteiras da razão são barreiras de contenção, temos nós, da esquerda anticapitalista, que nos posicionar sobre temas, que a meu ver, pouco ou quase nada muda substancialmente a vida da nossa gente. A saída ou não de Dilma (PT) da presidência da república toma conta das notícias, vira discussão de bar, é assunto dos almoços do dia de domingo das famílias, dá até briga entre casais de namorados apaixonados. Infelizmente o nosso povo está tomado por discussões que em nada muda a sua vida substancialmente, infelizmente. Enquanto ainda não se está discutindo coisas que teriam mais futuro, vou perder um pouco do meu tempo pra expressar uma rápida opinião. Bem, faço parte do PSOL, e nosso partido tem uma posição sobre esse impeachment. O PSOL de forma quase unanime em seu congresso nacional aprovou resolução, apresentada pelo companheiro Chico Alencar, que posiciona o partido claramente contra o Impeachment arquitetado como Golpe por Eduardo Cunha, Michel, PSDB, DEM e etc. Reafirmamos o nosso papel de oposição de esquerda ao Governo petista. Não podemos nos somar a um governo que se utiliza dos ataques aos trabalhadores para garantir uma agenda de Ajuste fiscal que na verdade é um ajuste para salvar e resguardar os lucros daqueles e daquelas que já lucram bilhões à custa do nosso trabalho e suor: banqueiros, especuladores, latifundiários, setores do ramo industrial. Somar o PSOL a isso seria desrespeitar toda a nossa história política, inclusive o porquê de nossa fundação. O governo de Dilma não tem muito ou quase nada para ser defendido. É o governo dos ajustes, dos ataques, das reformas que tiram dinheiro dos trabalhadores e direitos. Que aumenta a idade mínima para aposentadoria e que em contrapartida garante os recordes históricos dos banqueiros. O governo petista liderado por Dilma tem um lado, e infelizmente (ou fatalmente) não é do lado dos trabalhadores. Dilma e o PT tomaram lado e o lado que eles tomaram foi o lado daqueles e daquelas que hoje preparam a sua derrubada. Para nós da esquerda fica a encruzilhada. Para que lado ir? O que fazer? O PSOL tomou posição de ir contra o impeachment, manter sua luta árdua contra o pacote do ajuste fiscal e ir às ruas pelo “fora Cunha”. Isso resolve as questões? Não! Passa longe disso na verdade. Não podemos nos contentar com isso. Precisamos ainda trabalhar, um pouco mais a nossa elaboração política para a disputa do cenário brasileiro. Temos que ter clareza do papel político que temos pra cumprir nesta conjuntura. Não temos como ir as ruas defender o impeachment com essa roupagem golpista e que veio à tona por Eduardo Cunha, após ter, esse, se sentido ameaçado de perder o mandato por ter roubado e muito o dinheiro público.
Entender que a maré não está favorável para um projeto de esquerda é fundamental para uma boa e consequente análise do que fazer daqui pra frente. Se partirmos da visão de que a esquerda vem avançando, que as lutas sociais vem avançando, que junho se repete e que a revolução está a bater as botas, se partirmos daí, talvez, caiba propostas como uma nova constituinte ou até mesmo eleições gerais pra 2016. Mas se fizermos o esforço de analisar a conjuntura como ela está e formos um pouco mais espertos, consequentes, responsáveis, vamos ter uma postura e proposição de ações diferentes destas. Puxar eleições gerais em 2016, o que não difere muito da proposta de impeachment, nesta correlação de forças, é desastroso. Puxar uma nova constituinte num momento de crescimento da onda conservadora e de extrema direita seria um mal ainda pior. Acho, humildemente, que nossa linha é de manter a luta aquecida. As pautas centrais são: contra o ajuste, pela auditoria da dívida, taxação das grandes fortunas, reformas agraria e urbana, não à terceirização. Temos que preparar o terreno político e o nosso partido para uma possível virada na conjuntura. Acumular forças pautando a luta de classes como central. Colar nos mais variados movimentos que surgem e se organizam no país inteiro. Apostar nesta conjuntura numa pauta ou linha de atuação onde a direita mais cresce e constrói referência, parece-me ser um equívoco, parece. É importante deixar claro, que não há, neste momento, respostas corretas e absolutas. Buscar isso, inclusive, parece-me insano, típico daqueles que passam manhãs e tardes tentando serem os salvadores da “pátria”. Temos que fazer um esforço para ler bem a conjuntura e apostar, isso mesmo, apostar em um caminho. Parece-me mais correto afirmar a necessária construção de uma terceira via. Terceira via essa que se descole do governo e do PT, mas que ao mesmo tempo, por conta de um esquerdismo inconsequente, não se misture com o senso comum de direita. Para mim a linha justa é se posicionar contra o impeachment, fazer luta, “esquentar” as ruas e se preparar para uma possível guinada na conjuntura a nosso favor. Me parece que apostar nisso é o mais sensato, me parece o mais correto.  Entendo a justificativa do “fora todos”, mas discordo da tática. Não existe vácuo na política. E vácuo somente é ocupado por linhas políticas que sejam mais claras e propositivas. Sair somente na negativa sem uma linha de intermediação com a realidade concreta parece-me ser o caminho mais curto para a obscuridade. Parece-me o caminho para o apequenamento político.
 Por:  Técio Nunes Salgado:

Fonte Psol Pacajus

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