Potengi, verás que um filho teu não foge à luta!

Meritocracia e fim de ingerência política soam falsas sob Bolsonaro


Filho de Mourão tem promoção relâmpago no BB
KENNEDY ALENCAR
São Paulo
A promoção de um filho do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, a assessor do presidente do Banco do Brasil contradiz o discurso do governo Bolsonaro de fim de influências políticas nas indicações para cargos públicos.
Antonio Hamilton Rossell Mourão, assessor da Diretoria de Agronegócios do Banco do Brasil, foi promovido ontem a auxiliar do presidente da instituição, Rubens Novaes. O ato aconteceu no primeiro dia de Novaes no cargo.
O vice-presidente diz que o filho tem competência, honestidade e merecia uma promoção faz tempo. Mas houve repercussão negativa entre os funcionários do Banco do Brasil.
Como o novo presidente da instituição pode avaliar em um dia a competência do novo subordinado direto? Haja mérito para tal indicação relâmpago, com a coincidência de a descoberta acontecer depois de o pai ter virado vice-presidente da República. Baita meritocracia!
Esses foram comentários correntes hoje entre funcionários do BB. A rede interna de comunicação ficou congestionada com questionamento ao discurso de meritocracia e de fim de ingerência política do presidente Jair Bolsonaro.
A promoção é inusual pela falta de senioridade do filho do vice-presidente como também pela triplicação do salário.
O ato é evidência de que o discurso do governo é um, mas a prática é outra. Começa mal um governo que apregoa o fim de indicações políticas, o uso inédito de nomeações técnicas e anuncia a meritocracia como meta privada e inspiração para políticas públicas. Diante de tantos fatos que vieram à tona nas últimas semanas, isso soa falso sob Bolsonaro.
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Hipocrisia federal
Surgiu nova suspeita contra o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Segundo o jornal “Zero Hora”, ele usou, quando deputado federal, 80 notas fiscais para contratar serviços de consultoria tributária por meio de suas verbas de gabinete.
Houve 29 notas fiscais emitidas em sequência pela empresa contratada por Lorenzoni.
Pelo padrão estabelecido pela Lava Jato, esse método de emissão de notas fiscais é, no mínimo, suspeito.
O ministro da Casa Civil é mais um integrante do governo que, na prática, contradiz o próprio discurso.
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É mesmo pra valer?
O governo analisa se deixará militares de fora da reforma da Previdência. Em 2017, o déficit representado por um aposentado militar era 16 vezes superior ao de um pensionista do INSS.
Se o governo quer mesmo acabar com fábrica de desigualdades na Previdência, tem de incluir militares, magistrados, procuradores da República, ministros do STF e de tribunais superiores numa reforma para valer.
Ouça os comentários feitos hoje no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

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